segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

EU!

Como eu adorava me poder moldar como pele a tudo o que existe e
alienar-me do que é humano.
Porque na verdade não passo de um ser limitado, que não consegue
penetrar nas entranhas da beleza da natureza.
Quem me dera um dia ser animal selvagem e noutro dia ser pássaro livre.
Enfrentar o fogo.
Adormecer no mar bravo ao som dos cânticos puros das sereias em busca
de amores impossíveis.
Ser terra fértil para receber sementes girassóis e lhes dar vida.
Sentir-me abstracta e perceber a linguagem das cores e do nada
conseguir pintar azul.
Fazer esculturas de pedra no vento ou moldar a agua com o formato de
montanhas e planícies.
Ser o ninho de amores-perfeitos.
Sentir-me botão em flor de laranjeira ou gota pingada de orvalho em
mãos perfeitas.
Ser o que se pede a uma estrela cadente e ficar com seu rasto para ser
sempre um desejo.
Quero me sentir a rocha fixa dum esconderijo onde se encosta e se
contempla o prateado.
Planar no tempo,
Dançar na lua cheia e cair no céu do meu mundo tropeçar na natureza e
ficar encravada num por de sol gigante.
Desdobrar-me….e construir com fio-de-prumo a minha casa de amor no ar,
com vista em frente ao sonho de uma fantasia sem fim.

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